Depois de dois meses consecutivos de queda, o custo da cesta básica familiar voltou a subir no Vale do Paraíba. Levantamento do Núcleo de Pesquisas Econômico-Sociais da Universidade de Taubaté (NUPES/UNITAU) aponta aumento de 2,18% em setembro, a maior alta mensal registrada desde julho de 2022, quando a elevação foi de 2,36%.
O valor médio da cesta nos quatro municípios pesquisados passou de R$ 2.884,15, em agosto, para R$ 2.947,02, em setembro, uma diferença de R$ 62,87. Desse aumento, R$ 62,44, ou 99,3%, correspondem ao grupo alimentação. O resultado interrompe as quedas registradas em julho (-2,53%) e agosto (-1,05%).
A pesquisa acompanha mensalmente 44 produtos de alimentação, higiene pessoal e limpeza doméstica destinados a uma família de cinco pessoas. A coleta de preços é realizada quinzenalmente em 16 supermercados de Taubaté, São José dos Campos, Caçapava e Campos do Jordão. O levantamento é realizado pelo NUPES desde setembro de 1996 e, portanto, completa 30 anos em 2026.
Chuvas pressionam preço dos alimentos
Segundo a análise do NUPES, dois movimentos ajudam a explicar a alta registrada em setembro. O primeiro está relacionado às condições climáticas no início da primavera. O excesso de chuvas, episódios de granizo no interior paulista e a passagem de um ciclone extratropical pela região Sul prejudicaram a colheita e provocaram perdas na produção de hortaliças em importantes regiões fornecedoras.
O segundo fator é a recomposição dos preços de produtos que haviam apresentado quedas expressivas nos meses anteriores. Abobrinha, batata inglesa e tomate, por exemplo, voltaram a subir diante da redução da oferta.
A abobrinha apresentou a maior variação entre os produtos analisados no Vale do Paraíba, com alta de 56,06%. Na sequência aparecem a batata inglesa, com 47,04%, e o tomate, com 45,34%. Entre os produtos que ficaram mais baratos estão a laranja pera (-7,13%), a banana nanica (-7%) e a cenoura (-6,90%).
No caso da abobrinha, a elevação reverte as quedas observadas em julho e agosto. De acordo com o levantamento, as chuvas intermitentes e o granizo atingiram lavouras e reduziram a oferta de um produto particularmente sensível ao excesso de umidade. Em São José dos Campos, a variação chegou a 99,91%.
Já a batata inglesa voltou a subir após reduções de 23,17% em julho e 29,35% em agosto. O tomate também inverteu o movimento observado anteriormente: depois de cair 30,75% em julho, avançou 45,34% em setembro, influenciado pela desaceleração da colheita da safra de inverno e pelas chuvas, que retardaram o amadurecimento dos frutos.
Taubaté tem maior alta, mas mantém cesta mais barata
Todos os municípios pesquisados pelo NUPES apresentaram aumento em setembro. Taubaté registrou a maior variação, de 3,60%, com o valor da cesta passando de R$ 2.764,98 para R$ 2.864,62. Apesar da alta, o município continua apresentando a cesta básica familiar mais barata entre as quatro cidades analisadas.
Em Caçapava, a alta foi de 2,96%, e o custo chegou a R$ 2.889,98. São José dos Camposregistrou aumento de 2,07%, chegando a R$ 2.898,12. Já Campos do Jordão apresentou a menor variação, de 0,32%, mas continua com a cesta mais cara, no valor de R$ 3.135,36.
A diferença entre a cesta mais cara, em Campos do Jordão, e a mais barata, em Taubaté, ficou em R$ 270,74, ou 9,45%. Em agosto, essa diferença era de 13,03%.
Cesta compromete 36% da renda familiar
A alta também aumentou a parcela da renda familiar necessária para a compra dos itens pesquisados. O NUPES utiliza como referência uma família de cinco pessoas com renda equivalente a cinco salários mínimos, que em setembro corresponde a R$ 8.105.
Na média regional, o comprometimento da renda com a cesta passou de 35,58% em agosto para 36,36% em setembro. Com isso, o valor disponível para despesas como saúde, educação, transporte e outros gastos familiares caiu de R$ 5.220,85 para R$ 5.157,98.
Campos do Jordão apresenta o maior comprometimento entre os municípios pesquisados, com 38,68% da renda utilizada para a aquisição da cesta. Taubaté registra o menor percentual, de 35,34%.
Apesar da alta de setembro, o valor médio da cesta ainda permanece abaixo do patamar observado em junho. No acumulado entre setembro de 2025 e setembro de 2026, entretanto, houve aumento de 3,76%, equivalente a R$ 106,79. No mesmo período, o IPCA-15 registrou variação de 4,22%.
O levantamento do NUPES mostra ainda que o grupo alimentação, além de ter aumentado 2,41% no mês, representa 90,13% do valor total da cesta. Higiene pessoal (+0,11%) e limpeza doméstica (+0,19%) permaneceram praticamente estáveis.
Divulgação: ACOM/UNITAU