Pesquisa do NUPES/UNITAU aponta aumento de 1,85% em junho; alimentos seguem pressionando o orçamento das famílias da região
O custo da cesta básica familiar no Vale do Paraíba voltou a subir em junho e registrou a maior alta mensal desde fevereiro de 2025. É o que aponta a pesquisa divulgada pelo Núcleo de Pesquisas Econômico-Sociais (NUPES), da Universidade de Taubaté (UNITAU). O levantamento identificou aumento de 1,85% em relação ao mês anterior, elevando o valor médio regional da cesta de R$ 2.936,31 para R$ 2.990,52, um acréscimo de R$ 54,21.
A pesquisa é realizada desde 1996 e acompanha mensalmente o comportamento dos preços de uma cesta composta por 44 produtos de alimentação, higiene pessoal e limpeza doméstica, considerando uma família de cinco pessoas. A coleta de preços é feita quinzenalmente em 16 supermercados de Taubaté, São José dos Campos, Caçapava e Campos do Jordão.
Segundo o NUPES, o aumento foi impulsionado principalmente pelos produtos de alimentação, afetados por fatores sazonais de oferta e pelas condições climáticas, que reduziram a disponibilidade de diversos alimentos e pressionaram os preços ao consumidor. O grupo alimentação representa 90,34% do custo total da cesta básica.
Entre os municípios pesquisados, Campos do Jordão continua apresentando a cesta básica mais cara da região, com custo de R$ 3.193,38, enquanto Taubaté registra o menor valor, R$ 2.912,67. A diferença entre os dois municípios chega a R$ 280,71, equivalente a 9,64%. De acordo com o estudo, fatores como a dinâmica do turismo e as características geográficas da Serra da Mantiqueira contribuem para o maior custo de vida em Campos do Jordão, enquanto a infraestrutura logística e a maior concorrência comercial favorecem preços mais baixos em Taubaté.
Comprometimento da renda aumenta
Outro indicador observado pelo levantamento é o impacto da cesta básica no orçamento das famílias. Em junho, o comprometimento médio da renda familiar no Vale do Paraíba passou de 36,23% para 36,90%, reduzindo a parcela disponível para despesas como saúde, educação, transporte e lazer. Como não houve reajuste no salário mínimo no período, o aumento decorreu exclusivamente da elevação no preço da cesta básica.
Produtos com maiores altas
Entre os alimentos que mais encareceram em junho estão o mamão formosa (+18,19%), a abobrinha (+13,32%), o feijão carioquinha (+9,26%), o alho (+9,03%) e a banana nanica (+8,07%). Segundo a análise do NUPES, a combinação entre entressafra, redução da oferta e fatores climáticos explica boa parte dessas elevações.
Em contrapartida, alguns produtos registraram queda de preços, entre eles o tomate (-5,67%), o açúcar refinado (-5,08%), a carne de alcatra bovina (-4,87%), a bisteca suína (-4,04%) e o óleo de soja (-3,63%), contribuindo para amenizar parcialmente o impacto sobre o orçamento das famílias.
Cinco altas consecutivas
No acumulado dos últimos 12 meses, o custo médio da cesta básica no Vale do Paraíba aumentou 3,77%, equivalente a R$ 108,72. O levantamento também mostra que junho marcou a quinta alta consecutiva da cesta básica, indicando uma intensificação da pressão inflacionária sobre os alimentos e reforçando a percepção de encarecimento do custo de vida na região.
Divulgação: ACOM/UNITAU